“A GRANDE JORNADA”

A OBRA:

A Grande Jornada” (1850), de John R. MacDuff (1818-1895), é uma obra de alegoria cristã, uma ficção cristã, que encanta pela criatividade e profundidade — inspirada no clássico “O Peregrino” (1678) de John Bunyan, convida o leitor a caminhar, passo a passo, por uma estrada espiritual que reflete as lutas, medos e esperanças da vida cristã. É para quem já leu “O Peregrino” e busca algo com metodologia semelhante, mas com personalidade própria e não uma cópia do clássico. MacDuff dialoga com Bunyan, sim, mas oferece cores, passos, personagens, situações e lugares diferentes.

A narrativa simbólica de “A Grande Jornada” é cheia de portões, vales, montanhas e cidades que representam as provações interiores do Peregrino (o cristão em sua caminhada rumo à eternidade). Desde o Portão Estreito, o leitor é conduzido por lugares como o Vale das Lágrimas, enfrenta tentações, atravessa a Cidade da Carnalidade, recebe ânimo na Câmara da Esperança, chega às Colinas Eternas — cada cenário traz lições de sofrimento, perseverança, fé e consolo. Personagens como Graça Imerecida e Teófilo são companhias de viagem, são espelhos do que significa depender da misericórdia de Deus e não na própria força; e figuras como o Antinomiano ilustram os perigos de desvios doutrinários.

MacDuff constrói sua história com um toque poético e parábolas ricas em símbolos, mas sempre bíblico e meditativo. A linguagem consegue ser acessível, com imagens que ficam na mente: as trevas do vale, os rios turbulentos, os portões que acolhem, o palácio do Salmista Real…

A leitura requer disposição para meditar, parar, refletir; não é uma leitura superficial de entretenimento. Foram acrescentadas muitas notas de rodapé com as referências bíblicas, quando estas (ou seus ensinos) aparecem no texto.

A Grande Jornada” é um convite: para lembrarmos que a vida cristã não é um trajeto sem percalços, sem escolhas duras, sem sombras — mas também, que há companhia, consolo e beleza, mesmo antes de chegarmos à Nova Jerusalém. MacDuff oferece mais do que uma história, oferece uma bússola moral e espiritual para quem caminha no “Caminho Estreito”. Para quem se dispõe a ler com coração atento, será uma leitura que enriquece, desafia, consola — e, por fim, aponta para além deste mundo, até a eternidade.

O AUTOR:

John R. MacDuff (1815-1895) foi um teólogo escocês formado pela Universidade de Edimburgo, ordenado ao ministério da Palavra e pastor nas igrejas de Kettins, St Madoes e Sandyford. Após isso, então em Glasgow, dedicou-se inteiramente à escrita. Autor de mais de uma dezena de livros, compôs mais de trinta hinos. Também foi eleito pela Assembleia Geral da Igreja da Escócia para compor seu importante Comitê de Hinos. MacDuff foi recomendado por Charles Spurgeon, “o príncipe dos pregadores”, que leu mais de cem vezes “O Peregrino”, de Bunyan, com as seguintes palavras: “Para momentos de leitura santa e deleitosa, recomendo MacDuff!”.

A EDIÇÃO:

Publicado pela Editora Reforma Publicações, com 112 páginas, em 2024.

O nome original da obra é “ A grande jornada – uma alegoria da peregrinação cristã ou uma peregrinação pelo Vale de Lágrimas até o Monte Sião, a cidade do Deus vivo”, mas foi abreviado para “A Grande Jornada.”

Aldair R. Santos

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