Calígula e a política

É verdade que este mundo tem coisas muito estranhas e, ultimamente, está ficando ainda mais bizarro: são tantas práticas inusitadas e, por que não dizer doentias,  que quase ninguém escaparia do hospício, caso ainda existissem — se não existem, há um corporativismo exagerado, não acha?

Ou, o que acha de pessoas se considerarem árvores sem  produzir um pingo de clorofila? Ou gatos? Sem darem um miado convincente ou escalarem o muro do vizinho em um salto? … Bem, até tem alguns que fazem isso, mas eles não se consideram gatos… são de outra espécie.

Ah, mas a lista não tem fim… Desde os “Casamentos” de humanos com animais, e direito a festa, certidão e lua-de-mel — um e outro podendo pegar ou ser “pegado” por cachorra ou cão vadio nas ruas — até uniões estáveis com hologramas… claro, se não cair a conexão ou pegar um vírus.

O próximo passo é a vida se transferir definitivamente para o Metaverso, numa espécie de Matrix, mas como o Tamagotchi, a coisa pode cansar mais rapidamente do que se imagina, especialmente pelos gastos pra lá de absurdos.  É mais barato viver a realidade do que a fantasia, já dizia… ah, que se dane!

Bem, o título fala de Calígula (Caius Julius Caesar Augustus Germanicus) e ele talvez seja um dos precursores das bizarrices e sandices a espalharem-se mundo afora. Enquanto imperador de Roma (37 a 41 D.C.), nomeou o seu cavalo predileto, “Incitatus”(impetuoso), senador e cônsul, talvez por considerar o Senado o mais digno de receber o seu dileto amigo, ou simplesmente era o cocheira apropriada para alojar o equino. Ele obrigava os senadores a se reunirem e despacharem na presença do animal, o que, certamente, deixava a assembleia bufando de raiva — sei, o trocadilho é infame, mas não pude resistir. Alguém pode alegar: “Mas que cara louco! É cada uma que acontece”…  ao que digo: “Já olhou o seu título de eleitor?”

Política por essas bandas — na verdade, no mundo em geral,  e exclui-se apenas lugares onde a proibição não deixa margens às querelas — é mato sem cachorro. Nunca sabe se é caça ou caçador, mas sempre tem um alvo preso às costas e a certeza de o tiro não ser certeiro suficiente para matar, mas que vai doer, isso vai!

No fim das contas, a maioria das vezes é gritaria, prepotência e insultos sem a noção e percepção de que, seja de qual lado estiver, está ferrado. Por aqui se elege presidente, senadores, deputados e leva-se de brinde o síndico do prédio ou ministro do Supremo.

Curioso é que os altos escalões da República parecem agir como o imperador dos cavalos: dão a impressão de entregar picanha e caviar, enquanto eu e você ganhamos capim e alfafa… e uma banana.

Jorge F. Isah   

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