— Adoro isso.
— O quê, senhor?
— Nada, adoro não fazer nada.
— Se o senhor “adora”, porque o “não fazer”? Se gosta de fazer, então por que “não” fazer?
— Certo, certo, RX-3. Eu adoro fazer nada. Vocês robôs são lógicos demais.
— O que é “nada” senhor? Como se “faz” nada?
— Nada é…coisa nenhuma… nada… a gente faz nada assim… tipo… não fazendo nada, entende?
— Não, senhor. Se nada é algo que não se faz, então quando se faz nada, se está fazendo algo. Então o nada não seria realmente nada, pois o nada não se faz…
— Chega, chega, RX-3. Depois da 25° geração robótica, vocês estão muito filosóficos e pouco práticos. Começo a desconfiar que essa inteligência artificial não é inteligente. Vocês não foram feitos pra pensar, foram feitos pra fazer. Nada sabem de ócio.
— Quem é o “ócio”, senhor?!
— Não é “quem”, ócio é quando você para de trabalhar, tira uma folga, um repouso, fica quieto fazendo nada… entendeu??!!
— Entendi, então o ócio é o fazer nada e o fazer nada é o ócio!
— Meio que isso…
— Obrigado pela explicação, senhor.
— Por nada.
— ??!!…
Aldair Ribeiro dos Santos