RESPOSTA A UM AMOR ADOLESCENTE NOS ANOS 90

…Não sei dizer o que está acontecendo no interior de mim, algo muda, dança, sorri, chora e me deixa estonteado.

Como um mergulho no infinito, envolto na luz do sol e ao mesmo tempo tudo é sonhos e mais sonhos.

Você chegou devagarzinho, foi chegando de mansinho e, quando vi, já estava lá, sem perceber tomou meu coração inteirinho.

Penso em você, sem saber se pensas em mim, lembro-me todos os dias de amar você, viver você e querer você, mas….

Sentir teu rosto em minhas mãos, tua pele colada a minha, teu suor tocando meu corpo, teus lábios selando os meus, arfo meu peito em angustia sem fim, apenas sonhos que não medem a distância entre nós.

As pessoas passam por nós, nada incomoda apenas sinto tua presença ao meu lado, mas como se estás distante?

Seus olhos cor de mel, teu sorriso como se fosse uma musa dos Deuses, e eu apenas sonho.

Sinto teu cheiro, sinto teu toque e os dedos suaves a deslizar pelo meu rosto é apenas um sonho, impossível de viver esta realidade.

E… Então deixarei que a vida, a ingrata vida, nos mantenha distante apesar desse amor intenso que nos consome, deixarei que a mestra vida nos moldes os caminhos, apesar de saber que nunca nos teremos em plenitude, mas você é o Amor da adolescência: precisa viver seus próprios sonhos, sem se prender aos caprichos de um coração que ama tão intensamente que será capaz de abandonar tudo.

Só para que seu Amor floresça e possas ser feliz e, quem sabe um dia, nas vidas futuras, posso então amar-te tão intensamente como hoje te Amo e seguir contigo ao meu lado.

O Amor é um breve ensaio dos caminhos tortuosos do destino, que sem ter sentimentos destrói e contorna os corações que sangram de amor intensamente, apenas para confirmar que podes mover ao seu bel-prazer as cordinhas do acaso nefasto que afastam os corações a continentes de distância, apesar de viverem no mesmo espaço tempo.

Há o Amor!

Este sentir tão intenso e incompreensível, este desejo tão insano que nos afasta como bestas perseguidas por caçadores, mas…

Afinal, terminarei meus dias de viagem pela terra, te amando com tanta intensidade quanto te amei quando vi teus cabelos negros sobre os ombros, teus olhos cor de mel e teu sorriso tão genuinamente doce que senti o sabor de teus lábios como um maná celeste.

E… Hoje, hoje 39 anos depois…

Ainda me lembro de você, caminhando com aquele sorriso límpido, claro, luminoso tão especial como um presente da vida, maravilhoso.

Mas foi assim, amamos, sorrimos, tememos, e tempo instalou como sempre faz um deserto que ocupou o lugar onde vivia o amor.

E assim apenas caminhamos por rumos opostos, com leves olhares para o passado, e a vida incumbiu de trazer a rotina como a escravização do mundo e não a morte do amor, apenas sua prisão no mais profundo dos corações e então caminhamos, caminhamos e o mais puro e intenso Amor que um coração pode viver não se reencontrou, não houve final feliz, como nas novelas mexicanas…

Enfim, segue a vida este insondável caminhar rumo a um futuro que não reflete certezas, apenas incertezas e sonhos.

Adilson Geraldo Moreira

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