Adoro escrever idiotices. Não que eu seja um idiota, é o que penso, sem muita convicção, mas também não acho que o leitor o seja. Não todos, é claro. As situações é que são idiotas. Vejam as brigas de trânsito, que acontecem a todo momento nas capitais, bem como nas pequenas cidades: um motorista apressadinho projeta o carro para cima do outro, que poderia simplesmente se desviar, mas prefere dar ré, fazendo os dois colidirem. E aí começa o embate. Não raramente, termina em morte ou lesões corporais variadas, mas às vezes quem sofre as consequências são as mães dos gladiadores, sempre lembradas, nessas ocasiões, com os mais carinhosos adjetivos.
Mas voltemos às minhas idiotices: acho engraçadas muitas situações cotidianas, que a maioria das pessoas pode deixar passar em branco. E faço disso comédia, mesmo sabendo que muitas pessoas não vão rir, mas o que importa é que eu me divirta com isso. O escritor pode ser, às vezes, egoísta, principalmente se ele for como Van Gogh foi na pintura: um doido. Van Gogh não se importava com o lado “comercial” de suas obras. Apenas extravasava o seu transtorno, e seus trabalhos somente obtiveram sucesso depois que empacotou a própria carcaça. Muitos escritores também são doidos e somente serão reconhecidos postumamente. Alguns são apenas idiotas. Não sei em qual grupo me enquadro.