Mal me quer, bem me quer…

Parafraseando uma velha conhecida, que certa vez me disse: fazemos escolhas na vida buscando ser felizes. A escolha a que ela se referia ter feito não trouxe para ela nenhuma felicidade; ao contrário, trouxe um mar de dores e algumas “boas” décadas recheadas de  arrependimentos. A premissa com que ela trabalhou parece óbvia demais. É claro que as diversas escolhas que fazemos são em busca de um bem-estar, de sucesso e bonanças sem fim, ora! Quem de nós não quer tal proeza? Essa deve ser a busca da história da humanidade. É como se ela tivesse descoberto a roda, não é mesmo?

Pode ser que inicialmente pensemos dessa forma, porém, toda vez que faço uma escolha burra, relembro essa célebre frase e ela sempre desce em minha consciência como um bálsamo: “Fiz essa escolha tentando ser feliz”. Ninguém teria a audácia de julgar alguém que declarasse algo tão íntimo e ao mesmo tempo tão comum a todos nós. Quando confesso a mim mesma que todas as minhas escolhas foram feitas levando em conta a minha felicidade, torço para que meu Senhor Jesus Cristo tenha chegado à mesma conclusão e interceda por mim junto ao Pai, para que as minhas duvidosas decisões não me levem ao pavoroso fogo eterno.

Em se tratando do substantivo abstrato “escola”, oriundo do verbo escolher, reconhecem-se algumas outras afirmativas, como: “Suas escolhas fazem você”; “Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências”, entre outras. Haja pensamento envolvendo essa palavra para nos deixar tão reflexivos — aliás, temos ou não poder sobre nossas escolhas? Elas realmente são só nossas? Temos tanto poder de decisão assim?

Deparamo-nos todos os dias com as mais simples delas até chegar  às mais complexas: a da vez é a eleição presidencial. Haja cérebro para pensar, analisar, correlacionar propostas de candidatos. Acredito que essa seja a escolha mais sofrida da nação brasileira.

Voltando à expressão de minha chegada, de que escolhemos diversas vezes esforçando-nos para alcançar o tão sonhado paraíso na terra, pensem no motivo que me levou a escrever hoje?

É exatamente isto que pensastes! 

Acabei de lamentar-me por umas dez ou quinze escolhas que fiz nesses últimos anos, das quais me arrependi amargamente. Estava tentando consolar-me de todas elas. Deixo a dica para vocês, hein! Funciona que é uma beleza justificar as escolhas “erradas que fizemos” quase como um analgésico de ação ultrarrápida.

É um bom substituto para os dias em que o terapeuta não estiver disponível.

Jéssica Fernandes

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