Essa é a estrofe de uma música retirada do fundo do baú, cantada por Evaldo Braga, em 1972. Naqueles tempos, só os políticos mentiam, mas agora as autoridades em geral resolveram imitar. É uma mentirada que não acaba mais. Um pagava a mesada para o outro, que facilitava para o outro, que acobertava o outro e liberava aquele outro, que negociava com todos os outros. Os jornais, depois de alguns anos noticiando as mentiras mais deslavadas, resolveram botar a boca no trombone e contar tudo o que sabiam, mas a probabilidade de que alguém seja punido é absolutamente nula, pois os rabinhos estão entrelaçados, e se cair um, cai todo mundo.
O povo não faz ideia do quanto essas “autoridades” ganham, teoricamente, um salário de servidor público (que todos eles são) que daria para sustentar uma vida de classe média, não mais do que isso, mas os caras desfilam de jatinhos, iates e carros de luxo, fazem suas viagens pelo mundo, compram fazendas de criação de gado e dezenas de imóveis, mantém gordas contas no exterior e frequentam restaurantes com estrela Michelin.
As eleições estão próximas e muitas mentiras serão contadas. E o povo há de esquecer quem é quem, e votará nos velhos e novos mentirosos que, além de tudo, aparelharão o Estado com uma turba de vagabundos que, em tese, deveriam fiscalizá-los e até mesmo puni-los após serem pegos na mentira.
Michel Salomão