Você já ouviu falar de Patricia Campbell Hearst? Não? E Tania? Sabe quem foi? Ou foram? Pois bem, vou explicar: Patty Hearst, para os íntimos, é neta do bilionário das comunicações americanas William Randolph Hearst, o mesmo retratado por Orson Wells em “Cidadão Kane”, de 1941. Se quiser saber um pouco sobre a vida e os métodos jornalísticos do vovô Will, assista à película, ganhadora do Oscar de melhor roteiro, e considerado pela crítica mundial como o melhor filme de todos os tempos — há quem duvide… muitos negam… mas a maioria das pessoas sequer sabe da existência deste e de outros excelentes filmes, especialmente quando se está enfeitiçado, ou melhor, abduzido, pelos produtos da Marvel e D.C. Comic.
Patty, em 1974, aos 20 anos, foi sequestrada pelo grupo revolucionário/marxista americano chamado Exército Simbionês de Libertação — a nota engraçada é que se autodenominavam “libertação” mas faziam mesmo era roubar, sequestrar, assassinar e cometer outras violações da liberdade — cuja bandeira era o fim do racismo, da monogamia e do sistema penitenciário — alguma semelhança com boa parte da plataforma dos partidos brasileiros?. Como não existe coerência e lógica entre revolucionários, o primeiro assassinato foi, por incrível que pareça, de um negro. Sim, o professor Marcus Foster, o primeiro negro a ocupar o cargo de superintendente das escolas em Oakland, Califórnia, morreu a tiros em 1973.
Durante o cativeiro, Patty simpatizou-se com seus algozes (Síndrome de Estocolmo), mudou o nome para Tania (homenagem a uma das namoradas de Che Guevara), e participou de incursões criminosas, mais notadamente o assalto ao Hiberna Bank, em São Francisco, e ao SLA de Crocker National Bank , em Carmichael, quando a cliente grávida, Myrna Opsahl, foi morta à queima-roupa por Emily Harris, enquanto fazia
um depósito. Segundo relatos dos próprios integrantes do ESL — o símbolo era uma cobra de 7 cabeças — Harris afirmou ter matado a mulher por ela ser burguesa, branca e apenas um efeito colateral. Por 19 meses, Hearst atuou disparando suas armas contra civis e policiais até ser presa e condenada em 1975 (em 1979, Jimmy Carter – só podia ser ele – comutou a pena e Patty ganhou liberdade).
Patricia Hearst afirma, ainda hoje, ter sofrido lavagem cerebral durante o sequestro, e por isso não se considera responsável por seus atos. Parece uma boa tática… Muitos brasileiros certamente poderão aderir a esse discurso, afinal, dia e noite são bombardeados por todos os tipos de mensagens explícitas — não se preocupam mais em fazê-las subliminares — a fim de fugirem da realidade e lutarem por um paraíso terreno. Enquanto cada um colabora com o seu quinhão para tornar mais satânica a terra do Dr. No… Bem, se não nasceu aqui, certamente se naturalizou e faz as suas estripulias por todo lado, de norte a sul, de leste a oeste, seja de terno, toga, farda ou camiseta regata.
Infelizmente, não existe um James Bond para combatê-los… Existir até existe, mas ele está confinado a um bordel ultrassecreto… e de lá não quer sair.
Jorge F. Isah