NELSON TRAMONTINA (corte rápido)


Nelson é nosso correspondente internacional em Tuvalu e, mesmo estando longe, consegue fazer seus “cortes rápidos”, respondendo às perguntas dos leitores com comentários secos acerca dos costumes da sociedade e da situação do país em que viveu a maior parte de sua longa vida, até se tornar um respeitável e ranzinza aposentado e comentarista do tempo. E quase sempre acerta, quando palpita que vai chover.

Nelson, todos os dias eu acordo feliz, abro a janela e digo “bom dia sol”! Dou bom dia aos pássaros, às flores, às borboletas, aos cãezinhos, aos gatinhos, às pessoas que passam, sejam elas conhecidas ou desconhecidas, e comemoro cada segundo desse novo dia.

Nelson – Você é gay.

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Eu gastei o dinheiro do aluguel no jogo do Tigrinho. Mas preciso recuperar e aí estou pensando em apostar a reserva para o supermercado, senão a minha mulher me mata. Você acha que devo arriscar?

Nelson – Você sabe que os tigres são bichos selvagens e muito perigosos. O fato é: se sua mulher não matá-lo, certamente, o Tigrinho há de tirar o seu couro.

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Nelson, o meu marido é machista e não me deixa trabalhar fora ou estudar, e nem mesmo permite que eu saia com as minhas amigas, pois tem medo que eu o traia com outros homens na rua.

Nelson – Talvez ele não saiba que ainda existem carteiros, bombeiros, entregadores do IFood e outros prestadores, que podem fazer o mesmo serviço em sua casa.

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Estou namorando há um ano e meio, mas ele não tem coragem de me apresentar aos seus parentes e amigos. Isto não é estranho?

Nelson – Talvez ele não queira apresentá-la à esposa e filhos.

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Nelson, estou querendo arranjar um emprego que só precise trabalhar quatro horas por dia, que ganhe mais de 50 mil por mês sem precisar forçar o meu intelecto. O que eu preciso fazer?

Nelson – Virar puta.

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Nelson, sinto que as pessoas não gostam de mim, não me suportam pois dizem que falo sem parar, mas não acredito que seja verdade, pois sou apenas comunicativa, extrovertida, expansiva, e as pessoas invejam essa minha característica, que é natural, e… Nelson! Nelson! Ora, onde ele foi?

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Estou gostando de uma menina que parece ser minha alma gêmea, e gosta de tudo o que gosto, inclusive de meninas. Será que essa relação tem futuro?

Nelson – Só vejo um futuro: se você quiser mesmo levar essa relação adiante, terá que virar mulher.

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Nelson, o meu pai cortou a minha mesada e ouvi dizer que posso levá-lo na justiça para garantir o meus direitos. Ele alega que é um absurdo ter que pagar mesada para um filho de 43 anos.

Nelson – Do jeito que andam as coisas, pode até ser que você vença essa ação.

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Eu e meu marido resolvemos adotar um bebê reborn, mas temos medo de enfrentar o preconceito das pessoas, que estão muito intolerantes. O que você acha?

Nelson – Acho que para isso vocês precisam passar pela experiência do parto. Introduzam esse bebê em seus respectivos fiofós, começando pelas perninhas. Depois é só fazerem força para representarem essa situação, cada qual curtindo a sua vez.

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Nelson, meu namorado é muito ciumento e desconfia que todos os homens que se aproximam de mim irão transar comigo. Já não sei mais o que fazer.

Nelson – O seu namorado precisa sentir-se mais seguro. Transe com todos os homens que se aproximarem de você, e assim ele não terá mais desconfiança, mas certeza.

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O meu cachorro anda me estranhando, mas quando o meu vizinho aparece lá em casa ele fica todo assanhado, abanando o rabo. O que será que está acontecendo?

Nelson – Acho melhor você fazer esta pergunta para a sua mulher.

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Nelson, comprei um carro elétrico, mas só depois percebi que no meu prédio não tem lugar para carregar, e a Convenção não permite que instale, por questões de segurança. Os poucos postos de abastecimento que existem na cidade estão sempre cheios e eu teria que tentar entrar na fila durante a madrugada. O que faço agora?

Nelson – Pegue um arreio, umas cordas e saia puxando o seu novo carro pelas ruas.

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Nelson, cansei dessa situação que estamos vivendo neste país. Aqui é o paraíso dos absurdos: o errado é certo, e o certo, errado. Está tudo ao contrário. Estou pensando em ir embora daqui.

Nelson – Que tal conhecer o País das Maravilhas, de Alice?

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Eu não sei mais o que fazer com o meu filho: ele não consegue assumir responsabilidades, o quarto dele é uma bagunça, ele não se concentra nas aulas, não consegue fazer amigos. Desconfio que pode ter autismo ou TDH.

Nelson – Autismo e TDH são doenças da moda: para os psicólogos, todo mundo tem uma dessas patologias. Quem sabe o seu filho é apenas um artista?

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Nunca vi rastro de cobra, nem couro de lobisomem, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, menino eu sou é homem, menino sou é homem, menino sou é homem, e como sou.

Nelson – Duvido!

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Nelson, a minha sogra vai passar o final do ano lá em casa e, normalmente, a minha mulher cede a nossa cama para que ela possa dormir e a gente tem que se ajeitar no sofá da sala. A véia é muito folgada e não merece essa mordomia.

Nelson – Seja firme e não ceda o seu lugar: se a véia quiser, que durma do outro lado da cama. Não dê moleza! Só tome cuidado para não acordar no meio da noite de conchinha com ela.

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Nelson, desconfio que estou um pouco gordo, pois a minha família sempre me escolhe para me vestir de Papai Noel na noite de natal. Acho que vou recusar desta vez.

Nelson – Faça isso, caso não esteja se sentindo à vontade. Não é justo que tripudiem de você. Aceite apenas continuar como o Rei Momo, no carnaval.

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