Fake ou não fake, eis a questão

Enfim acabaram as eleições. Houve vencedores, derrotados e os que ganharam de verdade. Estes últimos nem precisaram concorrer. Estavam ocupados com as mãos nos bolsos… no seu, claro.

É o Robin Hood às avessas.

Um tipo de herói que distribui chicotadas e torrões de açúcar. A vítima só se importa quando o açúcar acaba.

Mas vá lá!

A manteiga já não é manteiga. O queijo cumpre pena em um gulag. E a carne perdeu o título de eleitor. E aquela saladinha regada a azeite — que nem sob tortura confessou a origem.

O que dizer das urnas?

Qualquer dia, vão aparecer com o rótulo:

“Contém votos. Cuidado: pode ter traços de democracia.”

Por via das dúvidas, ando sempre com cápsulas de vitaminas. Mas os olhos estão crescendo, as orelhas espichando, e troquei o colchão de molas por uma palhada.

Seria a seleção natural?

As coisas andam tão fake que, qualquer dia, você descobrirá que não é Homo sapiens, mas Equus asinus.

A maioria não se dá conta, nem quando relincha ou pasta.

Convenhamos: a grama não é tão verde, mas vem com selo de inspeção.

Jorge F. Isah

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